Segunda-feira, 27 de Julho de 2009

- Para preservar é necessário conhecer, investigar e divulgar. Apresentação de alguns trabalhos de investigação já publicados pelo autor sobre pescadores e seus etno-estilos((II)

 Por Carlos Lopes Bento(1)

 

Portugal possui um riquíssimo património marítimo-fluvial que, pelo seu valor etnográfico e cultural e pela sua importância económica, tanto a nível nacional como europeu, merece  um estudo sistemático, de natureza interdisciplinar e  uma profunda reflexão por parte da sociedade portuguesa.

 

 

 
 
"As Tecnologias Tradicionais de Pesca em Portugal. O Caso Concreto das Comunidades Piscatórias do Avieiros dos rios Tejo e Sado.
 
 
Por Carlos Lopes Bento, Investigador do Centro de Estudos de Antropologia Cultural da Universidade Internacional
 
Tendo a presente Comunicação como objecto as artes de pesca dos avieiros, é pertinente que se forneçam alguns dados informativos (1) que possam esclarecer, minimamente esta ilustra assembleia sobre a origem e a geografia dos pescadores que os ribatejanos denominaram avieiros. A escolha desta designação tem, ao que parece, uma estreita relação com a povoação piscatória de Vieira de Leiria, situada no litoral centro português, donde saíram, há mais de uma centúria, os primeiros migrantes com destino ao vale do Tejo.
Razões de natureza económica e ecológica, tanto no local de origem como no do destino, condicionariam a periocidade das migrações. Por um lado a actividade piscatória daquela povoação marítima estava limitada à pesca costeira da sardinha, na qual se empregavam artes de arrastar para terra, faina com uma temporalidade limitada aos meses de Maio a Setembro. O resto do ano, face à fraca actividade agrícola, era tempo de miséria, que se agravou com a diminuição dos cardumes de sardinha que passavam próximo da povoação de Vieira. Por outro lado, a riqueza piscífera do rio Tejo e seu tributários ainda era uma realidade concreta indesmentível nos finais do século passado, abundando então, entre outros, o barbo, o robalo, o linguado, o muge/fataça ou tainha, a boga,o sável, a saboga, a lampreia, a corvina e a enguia. Atraídos por esta abundância de pescado - especialmente pelas espécies migratórias -chegariam ao Tejo, primeiro pescadores de Ovar e da Murtosa e posteriormente de Vieira de Leiria, onde permaneciam durante a sáfara do sável, normalmente coincidente com o Inverno e cheias do rio.
O avieiros iniciaram a sua actividade no Tejo integrados em companhas, sendo as redes e embarcações pertença dos arrais. Insatisfeitos com os magros proventos distribuídos decidiram pescar por conta própria, passando as mulheres a fazer parte das companhas, constituídas, quase sempre, pelo marido e esposa, como aliás, ainda actualmente acontece. Deslocavam-se em grupo, a pé ou de carro de tracção animal, regressando a Vieira quando o sável começava a escassear. As canseiras destas viagens e os bons lucros obtidos na faina, resultantes da venda do pescado, levaram algumas famílias a desligar-se da sua terra natal e a fixar-se em diferentes locais das margens do Tejo, habitando nas suas embarcações, onde nasciam os filhos do casal. Mais tarde, à medida que as condições económicas melhoravam, passaram a viver em palhotas e barracas de madeira nas margens do rio que estavam preparadas para enfrentar as enchentes anuais sempre cheias de perigos.
A estes obstáculos somaram-se outros, embora de natureza diferente, agora relacionados com a sua integração e aceitação por parte das comunidades de pescadores e agricultores instalados à beira-rio. Face à forte oposição por parte dos pescadores de Ovar e da Murtosa, já fixados, e das gentes ribatejanas ligadas à exploração da terra (2), que sentiam os seus interesses e espaços ameaçados, os pescadores avieiros não tiveram outra alternativa que não fosse o reforço dos seus valores culturais e o quase isolamento do ambiente sociocultural envolvente.
Já nos meados deste século alguns avieiros oriundos dos principais núcleos do Tejo, fixaram-se no rio Sado, a montante da vila alentejana de Alcácer do Sal, onde passaram a exercer a sua actividade piscatória.
Caracterizados, ainda que aligeiradamente, os pescadores avieiros, a nossa atenção recairá, de imediato, sobre as artes que utilizaram, desde a sua chegada ao Tejo até aos nosso dias.
Entre os processos de pesca mais divulgados encontram-se a rede, a armadilha e o anzol (3).
Os aparelhos de rede, sem dúvida, foram sempre os mais usuais distinguindo-se entre eles: as redes de emalhar, fundeadas ou de deriva, como o tresmalho; os tapa-esteiros e as redes envolventes - aqui o pescado em vez de emalhar é aprisionado - que incluem a varina, o arrasto de vara, o arrastão, a camaroeira e do pilado, a tarrafa e as armadilhas.
Os tresmalhos, constituídos de três panos (um central e duas albitanas), com malhagem compreendida entre 25 e 70 milímetros, podem ser utilizados: fundeados, que se agrupam em caçadas, sendo lançados ao fim da tarde e levantados na madrugada seguinte, capturando peixes, moluscos e crustáceos; e à deriva ou volantes também agrupados em caçadas que atingem comprimentos variáveis entre os 36 e 45 metros e uma altura compreendida entre 1,80 e 3,60 metros (4). Estes últimos surgem-nos com várias designações: Sabugalhos (em Salvaterra de Magos) com malhagem de 85 milímetros, constituídos por quatro redes de 25 braças, ou sabogares (em Vila Franca de Xira, Caneiras e Escaroupim) destinados essencialmente à pesca da saboga; estrumalhos (Escaroupim) distintos do anterior por ter uma malhagem inferior; savaras ou saval, redes com malhas de 85 milímetros, destinados principalmente à captura do sável; as branquearas (usadas em Vila Franca de Xira), com malhagem de 55 milímetros; e as robaleiras, com malhagem de 55 milímetros que atingem 400 metros de comprimento, utilizadas na apanha do sável pequeno, robalo, fataça e barbo, rede que, face à diminuição daquelas espécies, tende a desaparecer em Vila Franca de Xira, embora ainda tenha alguma relevância em Escaroupim.
O tapa-esteiros, conhecido na zona centro do País por cerco, é uma arte proíbida, ainda que tenha sido tolerada a sua utilização nos estuário do Tejo, entre o Seixal e o rio Sorraia. Também, no passado, fez parte dos processos de pesca dos avieiros de Vila Franca. Nesta localidade e Escaroupim usam-se as estacadas que não são mais do que aparelhos de rede envolventes fixos muito semelhantes ao tapa-esteiros.
No que respeita às redes envolventes móveis há que distinguir: as redes de arrasto pelo fundo, que no Tejo e no Sado tomam a designação de arrastões; e o arrasto de vara ou rede camaroeira e do pilado destinado à captura do camarão branco e camarão mouro e peixes chatos como o linguado e solha. Geralmente, estas redes são puxadas com a ajuda de embarcações designadas por "arrastões" e barcas motoras, de 5 a 10,5 metros de comprimento, com convés e motor fixo, saveiros, botes, caçadeiras e bateiras, de 2 a 7 metros de comprimento, com motor fora de borda ou com remos.
A pesca do arrasto, desastrosa para o equilíbrio dos ecossistemas, processa-se em Alhandra e Vila Franca, praticamente, durante todo o ano e em Alcácer do Sal, de Março a Maio, período em que se captura o choco, o sável e a saboga, espécies actualmente pouco abundantes.
Ainda que menos vulgar do que no passado alguns avieiros ainda utilizam a tarrafa, rede circular de movimento vertical, lançada da superfície para o fundo (do barco ou das margens), que exige grande perícia no seu manejo.
As armadilhas, com formas e dimensões variadas, costumam agrupar-se, segundo o tipo de construção, em armadilhas rígidas e armadilhas não rígidas ou desmontáveis e de acordo com a forma, classificar-se em armadilhas poliédricas, cilíndricas e cónicas. Enquanto que as primeiras "são constituídas por uma estrutura metálica que lhe dá a forma (poliédrica de base quadrada ou rectangular, cilíndrica ou semicilíndrica), forrada com rede de pesca ou rede de material de plástico", as segundas "são formadas por vários aros metálicos, de fibra vegetal ou de fibra sintética, revestidos de rede de pesca e sustentados por canas, qualquer que seja a forma destas artes (cilíndrica ou cónica)"(5).
As armadilhas utilizadas na pesca da enguia (Anguilla anguilla L), pesca que apenas tem lugar dentro dos acidentes naturais, são desmontáveis e têm a forma cónica, tomando então a designação de galricho, nassa ou botirão. No Tejo e no Sado os galrichos são lançados em caçada que pode atingir as 100 armadilhas, ou seja, 4 cordéis de 25. Aqui, normalmente, são iscadas com camarinha (Paleamonetes varians Leach), pequeno crustáceo ainda abundante no Sado onde os avieiros do Tejo o vão apanhar. Em Alcácer do Sal os pescadores utilizam ainda os xalavar ou camaroeiro, em fiadas que levam até 400 unidades, para captura de caranguejo e búzio. Continuam com grande peso na economia dos pescadores, embora as populações de enguias, devido à poluição das águas, estejam a decrescer a ritmo acelerado.
E para finalizar falarei dos aparelhos de anzol, também muito utilizados na pesca da enguia. Habitualmente os pescadores utilizam espinheis compostos de cerca de 2 centenas de anzóis, iscados com camarinha, camarão mouro, casulo e tainha.
Actualmente nos principais núcleos de avieiros (Azambuja, Vila Franca, Salvaterra de Magos e Escaroupim, no Tejo, e Alcácer do Sal no Sado) usam-se o tresmalho, as armadilhas e os aparelhos de anzol, simples ou composto, acrescentando-se a estas artes, onde chega a influência das marés, as redes de arrastar, grandes destruidoras das poucas espécies ainda existentes.
A diminuição progressiva das mais importantes espécies dos rios Tejo e Sado especialmente, as migratórias (sável, corvina e lampreia), actualmente em vias de extinção, iria ter reflexos assim, tanto no equipamento tecnológico como no modo de vida dos avieiros. O pescador a tempo inteiro transformou-se, gradualmente, em agricultor-pescador, e oficial de outras artes sediadas em terra, não relacionadas com as pescas. Os filhos esses, voltaram de vez, as costas ao rio, e buscam ocupações em terra, onde também procuram noiva, desferindo, assim, um golpe mortal, nos casamentos endogâmicos tão do agrado dos seus pais e avós.
Considerando o desenvolvimento de uma economia cada vez mais desumanizada e anacrónica, que nada se importa com o Homem e os seus valores e com o ambiente que serve de suporte às suas actividades, os avieiros com as suas artes, costumes e tradições, têm o seu futuro comprometido caminhando rapidamente para a extinção se nada se fizer para o evitar.
 
NOTAS
(1)        - Os dados em que assenta a presente comunicação resultaram do trabalho de campo realizado em 1980 nos núcleos de Alhandra, Vila Franca de Xira e Alcácer do Sal, no âmbito do Projecto de I & D, intitulado a "Reconversão da Pesca Artesanal - Problemas Humanos", coordenado pelo investigador Doutor António Marino Coelho, comparticipada pela JNICT e da responsabilidade da ANTROPOS - Sociedade de Estudos de Sociologia e Antropologia, Lda, e do seu principal fundador Prof. Doutor João Pereira Neto, e ainda do contributo de vários especialistas que se têm debruçado sobre os pescadores avieiros.
Entre os informadores qualificados entrevistados recordam-se José Francisco, natural de Vale de Figueira, Maria Luisa Jesus Silva, natural de Valada, Emilia Tocha Mendes, natural de Salvaterra de Magos, e Manuel da Silva Padinha, natural de Vila Nova Rainha, todos residentes no núcleo de Alhandra; Manuel Canha, natural de Salvaterra de Magos, António Lobo Francisco, natural de Valada, e Manuel Guerra Lourenço, natural de Salvaterra de Magos, todos residentes no núcleo de Vila Franca de Xira; e José Guerra, natural de Vila Franca de Xira, Álvaro Rego, natural de Benfica do Ribatejo, Virginia Falcão, natural de Muge, e Maria Rabaça, natural de Vieira de Leiria, todos residentes nos núcleos de Avieiros do Sado.
(2)        - Para mais pormenores consultar BARBOSA, Luiza Maria Gonçalves Teixeira e GOUVEIA, Maria Luiza Lomba - "Caneiras - o Homem e o Rio", in Que Tejo, que Futuro?, Associação dos Amigos do Tejo, 1987, pp. 71 - 78, Vol. II, e COELHO, António Marino Gonçalves - "Avieiros, Ecologia e Cultura no Processo de Mudança", in A Reconversão da Pesca Artesanal -Programas Humanos, JNICT e ANTROPOS, 1986, Vol II, Anexos II, p. 7. Neste anexo também se encontram alguns dos nossos "Diários de Campo".
(3)        - Sobre os processos de pesca e respectivos instrumentos consultar LEROI-GOURHAN -Evolução e Técnicas - II - O meio e as técnicas, Edições 70, Lisboa, 1984, pp. 56 e segs..
(4)        - Sobre a matéria de que são feitas, o calamento, os problemas da malhagem e do tamanho das caçadas desta arte, Vidé: FRANCA, Maria de Lourdes Pais da e COSTA, Fernando Correia -Pesca Artesanal na Zona Centro da Costa Ocidental Portuguesa - Subsídio para o Conhecimento do seu Estado Actual, INIP, 1989, pp. 54-56.
(5)        - FRANCA & COSTA, op. cit., pág. 44 - 45.
 
BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
BARBOSA, Luiza Maria Gonçalves Teixeira e GOUVEIA, Maria Luiza Lomba - "Caneiras - o Homem e o Rio", in Que Tejo, que Futuro?, Associação dos Amigos do Tejo, 1987, pp. 71 - 78, Vol. II.
BENTO, Carlos Lopes - "Os avieiros: Que padrões de cultura? Que factores de mudança sócio-cultural? Que futuro?, in Que Tejo, que Futuro?, Associação dos Amigos do Tejo, 1987, pp. 153 - 165, Vol. II.
FRANCA Maria de Lourdes Pais da e COSTA, Fernando Correia -Pesca Artesanal na Zona Centro da Costa Ocidental Portuguesa - Subsídio para o Conhecimento do seu Estado Actual, INIP, 1989, pp. 54-56.
 
PEREIRA, Rosa Maria Papoila - "Aldeia de Escaroupim", in Que Tejo, que Futuro?, Associação dos Amigos do Tejo, 1987, pp. 107 - 114, Vol. II.
REDOL, Alves - Os Avieiros, Pub Europa-América, 1968.
SALGADO, Carlos e NABAIS, António - "Estudo Parantológico do Património Nautico do Tejo", in Que Tejo, que Futuro?, Associação dos Amigos do Tejo, pp. 123 - 144, Vol. II.
SILVA, A. Baldaque da - O Estado Actual das Pescas em Portugal, Lisboa, I.N., 1891.
SOARES, Maria Micaela R. T. - "A Casa Avieira em Vila Franca de Xira", in Boletim Cultural, Junta Distrital de Lisboa, 1975.
- "Varinos", in Que Tejo, que Futuro?, Associação dos Amigos do Tejo, pp. 79 - 105, Vol. II."
 
Publicado in Que Tejo, que Futuro?, Associação dos Amigos do Tejo, 1987, pp. 153 - 165, Vol. II.
 
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